Para o professor Luís Antunes, a percepção de segurança das cidades é um dos factores determinantes na garantia de qualidade de vida. E, de facto, atendendo aos últimos dados sobre a descida da criminalidade no Porto (apresentados previamente pelo candidato Filipe Araújo), manifestou ter feito a escolha certa na cidade onde escolheu viver com a sua família. Mas, lembrou o investigador, a segurança não se resume àquela que é percepcionada nas ruas. Actualmente, é fundamental debater também a segurança no ciberespaço.
Na realidade, como explicou aos presentes na sede de campanha de Rui Moreira, a evolução tecnológica nas últimas décadas não foi acompanhada, ao mesmo nível, pelas questões ligadas à segurança no meio digital. De acordo com o presidente do departamento de Ciências e Computadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, a protecção de dados pessoais é, ainda hoje, uma preocupação para as empresas das TIC, para os investigadores e para os académicos.
Sem querer assustar a assistência – mas, inevitavelmente, fazendo-o – o professor Luís Antunes afirmou que, ainda hoje, a cibersegurança apresenta fragilidades. Nesse contexto, enunciou que, sem despender muitos recursos, é possível reproduzir impressões digitais, clonar cartões através de aplicações de telemóvel, interceptar chamadas e mensagens por via de carregadores, transformando os telemóveis em verdadeiros espiões, entre outras possibilidades. Esta realidade, distante de qualquer ficção científica, deve ser atentamente acompanhada pelas cidades.

O conceito “safe cities” aplicado ao Porto
A expressão “safe cities”, proposta pelo professor Luís Antunes, deriva de uma outra que a cidade do Porto tem aplicado, por via da inovação: o conceito de “smart city”. Segundo o investigador, esta nova dimensão, da segurança no ciberespaço, deve fazer parte da equação da administração autárquica. Primeiro, porque uma “safe city” é também uma cidade que usa as potencialidades do ciberespaço para optimizar processos e, sobre esse aspecto, lembrou que o Centro de Gestão Integrado tem desempenhado um papel importante, quando gere, há distância, o tráfego da cidade. Mas pode ir mais longe, através da análise dos dados que os novos sensores fornecem.
Depois, porque a própria rede wi-fi disponível no Porto pode facultar informação relevante sobre a deslocação da população da cidade, sem invadir a privacidade dos seus utilizadores. E, ao nível da videovigilância, como instrumento utilizado para promover o sentimento de segurança, sem interferir no espaço privado.
Para o investigador Luís Antunes, “a visão de futuro já existe”. Parece um contra-senso, mas não. O que é necessário, entende, é garantir o equilíbrio entre o avanço da tecnologia e o avanço dos sistemas de segurança. Na opinião do professor, o município do Porto está no bom caminho, julgando que “o desenvolvimento da cidade não pode estar distante da segurança e da protecção dos cidadãos”, em todas as suas dimensões, afirmou.